terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Crossdressing em família

Olá Pessoal Tudo Bem? 

Em nossa última reflexão, abordamos nossas situações para externalizar nosso crossdressing, na condição de uma “pessoa normal”, e tendo como referência de início, o ano de 2012. Desta forma, será que podemos fazer um “passo-a-passo” das demais situações que passamos? Então, através de muitos relatos e histórias de várias crossdresser, comecemos pelo primeiro contato de nossa vida, através da família. 

O crossdressing em FamíliaSempre ouvimos que a família é o “pilar da sociedade”, então fica a pergunta: Por que nem sempre é a nossa sustentação? Historicamente, até certo ponto, é justamente no ambiente familiar que também se encontra uma fonte de tradicionalismo (muitas vezes carregados de preconceitos), onde o carregamos por toda a vida. Por exemplo, para os meninos, quantas vezes não ouvimos “...homem não chora...”“... rosa? É coisa de menina...”“... menino não brinca de casinha...” ou mesmo o inverso “...menina, se correr, fica suada e fedida...”“..carrinho é coisa pra menino...”, dessa forma, não há como negar que interfere nosso crossdressing ao longo do tempo, e pra isso, basta observar quantas pessoas tem em seus “passos cd’s”, algum conflito familiar (tanto quando criança, quanto estando em idade adulta). 

Para os meninos (que será enfatizado pelo fato do machismo ainda ser mais preponderante), podemos começar com o simples medo de nossos pais descobrirem que usamos uma peça feminina, maquiagem, salto alto e/ou meias finas estarem associadas, de uma forma direta a “tomar uma surra”. O que, de certa forma, alguns temores acabam sendo carregados, por muitas de nós, pela vida inteira, uma vez que estão associadas à essa base familiar. Para ilustrar, quantas crossdressers ainda se escondem de suas esposas, pelo fato dela não aceitar (ou o medo da reação dela)? E a história tende a se repetir, com expressões do tipo “... eu não me casei com outra mulher...”“...homem que se veste de mulher, só quer saber de sacanagens...”“... e o que os vizinhos, os nossos filhos vão pensar?...”“... falo ou não com minha esposa, meus filhos?...”. Dessa forma, são situações que geram uma sensação de solidão dentro da própria casa, mas não na condição de filho e/ou marido, mas um sentimento acrescido de frustração para a Princesa. 

Entretanto, já existem várias, e por que não dizer, maravilhosas situações contrárias, onde pelo menos esposa e/ou filhos sabem e convivem com o sapo/Princesa de forma harmônica e respeitosa, e que muitas vezes, se aproximam mais e deixam aUnidade Familiar realmente mais unida e reflexiva frente às tradições e preconceitos enraizados anteriormente. Já temos várias situações onde as esposas, além de terem um marido, ganham uma “melhor amiga”, onde situações do dia-a-dia tais como compras, casa e filhos podem ser discutidos sem uma visão de que é“assunto da mulher”. Esta situação, além de várias outras crossdressers, tenho como testemunho próprio, onde minha esposa e filha sabem do meu crossdressing, e nos aproximou mais, tirando a visão de uma família Patriarcal para outra, com uma verdadeira integração familiar, onde barreiras, tabus e outros assuntos são abordados mais facilmente e com maior tolerância. 

Agora, para ocorrer essa passagem da “solidão da Princesa” para uma família mais unida, não existe uma “formula mágica”, uma vez que cada família é bem diferente da outra, sendo que uma pode apoiar/aceitar rapidamente, assim como ocorrem casos em que não há tolerância tão evidente. E tem mais, existem momentos, circunstâncias e, principalmente, pessoas em quem vamos confiar para revelar nossas Princesas, e cabe a cada uma de nós perceber essa hora certa, além de estar preparada para as causas e conseqüências de que se sucederem. Nesse aspecto, pela história de cada uma, será mais uma barreira que será vencida, e para outras meninas, um novo desafio a ser superado. 

Enfim, lembremos sempre de dois aspectos familiares: o casal promete ao seu conjugue que “... será fiel na alegria e na tristeza? Na saúde e na doença?...”, então porquê não compartilhar a alegria da Princesa, uma vez que ela também está presente nos momentos difíceis? E os filhos que são reflexos dos pais, segundo os especialistas, não vamos terminar perguntando se existe um momento para eles nos descobrirem, mas sim se vamos transmitir e perpertuar um ambiente tradicional, travestido de intolerância e preconceitos. 

Beijos a todas(os)... e até a próxima...

Por Sttefanne Camp*
*Sttefanne Camp Saint Vincent é casada, residente em Valinhos-SP e trabalha em Campinas.

3 comentários:

  1. Oi Verônica...
    Fiquei contente por você ter publicado esse texto... acredito que ele reflete uma das situações em que vivemos, e que para muitas, ainda não é fácil...

    Obrigada pela lembrança...

    Beijos,

    Sttefanne Camp

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  2. Adorei , me respondeu muitas duvidadas, obrigada

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